quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Parte 8 prelúdio ou interlúdio segundo ...dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

O Brasil estava passando um momento pra lá de critico com o golpe militar, quando nasci, em 31 de maio de 1964. Minha história se confunde com a história do meu País; cresci em plena ditadura, e fiquei ilhada durante muito tempo, como o país durante esse regime totalitário, que só nos fez retroagir no tempo, nos impedindo de crescer e acompanhar o resto do mundo. Sorte mesmo, teve os exilados políticos, que foram expulsos, ou aproveitaram essa enorme confusão e, zarparam fora; triste destino, dos artistas e revolucionários que não conseguiram ir embora do País e foram presos, torturados, mortos ou lesados para o resto de suas vidas. Enquanto isso nós vivíamos tranqüilos e ausentes, totalmente desconectados do mundo, quase sempre sem saber do que acontecia lá fora - na nossa pacata e atrasada ilha bela! Se o Brasil, que é o Brasil estava afastado do mundo, imagina nós pobres Ludovicenses, que mal sabíamos o que acontecia no nosso próprio bravo e amado país, que estava completamente dominado por essa força enorme, bruta e obscura, dita Exército, que ao invés de proteger a nossa nação, à afundava, anulando-a, aniquilando-a, friamente e, sem piedade. Pobres “heróis” oprimidos e subjugados. Onde andaria o povo heróico e o brado retumbante entoando a sua pátria amada, idolatrada! E o sol da liberdade em raios fúlgidos? Totalmente manipulados, sob o controle dos carrascos - ditos generais; tal qual: Hitler, Mussolini e todos esses loucos ditadores, que de vez enquanto aparecem, por aí – perdidos e incontroláveis na fúria do poder - tão bem caricaturada por Charles Chaplin no filme “o Ditador”, escrito e dirigido por ele; mostrando-nos a ambição; cega, desenfreada e desvairada, destes dementes, que queriam ser Deus "o absoluto" – com interpretações de tamanha veracidade, que chegavam à se comparar, com atores do nível de sir Laurence Oliver, dando vida à Hamlet de Willian Shakespeare - dignos de um Oscar. E foi nesse caos revolucionário que eu cheguei nesse mundo de “Deuses” nacionalistas - infelizmente, Brasileiros, porém insanos com certeza!

domingo, 18 de outubro de 2009

Parte 7...preâmbulo II...dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

Meu pai não queria mais ter filhas mulheres, eu já era a quinta que vinha; um menino tentou vir mais papai do céu, não quis, ou talvez quis que ele viesse mesmo era num corpo de mulher, daí o aborto natural e eu. Então eu cheguei, a mais nova das minhas irmãs tinha dez anos à mais do que eu e a mais velha vinte anos - não era filha da minha mãe, mas era e é, uma irmã-dindinha, muito querida. Ela Rosário, sempre me protegeu e me mimou, muito mais do que minha mãe que não tinha tempo para isso – pois vivia exclusivamente à disposição do seu amo, senhor e patrão, meu pai. Eu não tive educação, sempre fiz o que era permitido e o que não era, não tinha limites. A minha vovó Julieta, dita sinhá, já tava bem velhinha quando eu debarquei nesse mundo de meu Deus, que pena! E apesar de ter dado uma boa educação, para as minhas irmãs Rosa e Silvina, não tinha mais fôlego para me criar e então fui realmente mal criada. Ela era bem velhinha e magrinha, tinha aquela cara de anciã mesmo, não sei quantos anos tinha, mas para mim já devia ter mais de 100. Dela só me lembro do dia que recebia sua pensão; tirava um pouco para comprar fumo de mascar e interibioforme e metionina, que comprava e escondia, no pequeno armário dela e o resto ela distribuía para agente, era aquela festa!!! Era mais quem queria acompanhá-la no tal lugar na Magalhães de Almeida, onde ela recebia o seu cobiçado dinheiro. Depois foi murchando cada vez mais, até o dia que desapareceu, dentro de suas roupas e seu pano de cabeça, que escondia seus cabelos grisalhos e ralos. Estava na escola no Pituchinha, devia ter 7 ou 8 anos. Recordo-me de uma sala embaixo, pois em cima era o jardim de infância, devia estar no primeiro ou segundo ano do primário. Me chamaram para ir para casa, devia ser uma três da tarde e logo imaginei que minha vovó sinhá devia ter morrido e, assim foi-se embora, a única que poderia ter dado um jeito em mim, depois disso é que fiquei solta mesmo. Minha mãe passava o dia no “terreno” - lugar onde trabalhava com meu pai, era uma loja de matériais de construção e serraria, uma poeirada só. Eles só vinham para almoçar, descansavam um pouquinho e logo voltavam ao batente. E eu quando não estava na escola, estava aprontando, é óbvio. Mesmo na escola eu era um caso sério. Nessa mesma época teve a história da primeira comunhão, que eu não queria fazer não sei porque e nem queria deixar ninguém da minha turma fazer, acho que tinha implicado, com a pobre de Lucimar, professora de Religião. E como de alguma maneira, liderava e influenciava os meus coleguinhas de sala, acabou que ninguém queria mais assistir a tal da aula e nem fazer a tal da comunhão. Engraçado, que desde essa época já implicava com esses dogmas da religião católica, e das outras também, é claro; Não sou atéia, pelo contrário, mas já tive essa fase, bem mais tarde, quando comecei a me intelectualizar. Acredito, mas não temo a Deus. Deus é algo de maravilhoso que temos dentro de nós, é a nossa consciência, costumo dizer e, não um bicho de sete cabeças ou uma super nany , que algumas religiões tentam encalcar em nossas cabeças, dizendo que Deus é vingativo e temeroso, aquilo e aquilo outro... Que ele toma conta de nós e dita todas as nossas atitudes. Ele nos deu a inteligência e com ela o livre arbítrio e todos os nossos atos, são inteiramente da nossa total responsabilidade, assim como o destino. Somos nós que de acordo com nossas escolhas, nos destinamos à nosso temido, mas sempre merecido destino. Mamãe foi chamada na escola e teve de me obrigar a fazer a primeira comunhão, juntamente com o resto da turma, que estavam decididos a fazer, só se eu fizesse, senão nada feito. E assim fizemos a tal da comunhão, ainda bem que foi de farda, pois achava medonho aquele chambre branco. Com direito a confissão e, um monte de Pai Nosso e Ave Maria, como punição – essa rezas, quem me ensinou foi Dona Júlia – segunda esposa do meu avô Jonas - pai do meu pai - , numa rede lá na casa deles, estupefata, porque eu não sabia rezar! O que ia fazer se a minha mãe nunca tinha me ensinado? Aceitei e até hoje foi tudo que aprendi de reza decorada - Tudo o que me foi ensinado com amor e sem cobranças, eu aqueri. Mas o que acho bacana mesmo, é uma oração espontânea e sentida, vinda de dentro do coração. Imagina meus pecados da época, eram só besteiras, sem maldades, nem intenções, é por essas e outras, que nos transformamos em pecadores desnaturados, sem parâmetros para diferenciar o bem do mal, que muitas vezes nos metem em prova e, nós, imaturos - como quando crianças, quando fomos julgados e punidos, por tão pouco ou simplesmente nada, ficamos com mêdo e nos culpamos, muitas vezes, assim , desenvolvemos um monte de doenças, que são justamente essas culpas e recalques impregnados no nosso espírito. Nessa mesma época, na minha escola Pituchinha, tinha um micro - ônibus, ele era lindo branquinho com listas vermelhas e azuis - as mesmas cores da farda, com uma gravatinha comprida vermelha; acho que foi o primeiro Ônibus escolar da cidade, antes dele aparecer, ia à pé com Lindalva, minha babá, para a escola, que não ficava tão longe da minha casa, que era no centro da cidade também. Pedi logo para papai, que acatava com todos os meus pedidos , para também ir de ônibus - para raiva de Silvina, uma das minhas irmãs, que não suportava a minha má criação e vivia reclamando, dos meus caprichos, sempre atendidos, apesar das suas forças contrárias. - nunca ouvidas, para sua total infelicidade. Às vezes ela brigava de se agarrar comigo e nos atracávamos e como ela era 10 anos mais velha, sempre ganhava e aí eu chateada, pedia socorro, para a minha dindinha, que chegava com a sua moral com papai e resolvia tudo a meu favor é claro - enquanto a outra, só podia mesmo, era se morder de raiva. Papai não se metia nessas brigas domésticas e mamãe também não se envolvia muito - pois essa tété, era o meu apelido, não tinha jeito mesmo, só a vida ia dar um jeito nela, um dia, quem sabe? Isso, ela disse numa outra ocasião, depois vamos chegar lá. Eu era a que morava mais perto da escola, mas no trajeto do ônibus, eu era a ultima a chegar em casa, passava pelo Anil, onde meu amigo mugrelha morava - quem me lembrou e pediu para eu escrever sobre esse famoso ônibus. Sei que tinha uma meninas mais velhas do que eu e um moça magrinha do cabelo curto e preto enroladinho, a coitada, que disque, tomava conta da gente, eu é que não queria estar no lugar dela! Comecei a fumar aí com essas garotas, à comprar carteira de cigarro e coisa e tal; nesses trajetos imensos e diários, que iam do centro ao Olho d’agua, uns 20 km da minha casa, pois elas moravam lá e, eu era a ultima à ser deixada em casa. Chegava na hora do Jornal Nacional, acho eu. Mas adorava a arrumação, nos divertíamos, cantávamos, fumávamos e a pobre da moça, que tomava conta da gente, depois resolveu colaborar e nos deixar fazer o que bem entendêssemos, dentro dessa nave espacial. Depois comecei a fumar lá embaixo no porão da minha casa e minha irmã Rosinha, seguindo o cheiro, acabou me descobrindo com Fulô – minha companheira infalível, de todas as horas e peraltices. Comecei a fumar aqueles cigarrinhos de chocolate, depois Du Maurier - que minha irmã, trazia do Rio – para ela é claro, Albany, Minister, Hollywood. Todo mundo fumava, era lindo! A primeira vez que fumei tinha 5 anos, foi uma outra irmã Fátima – irmã da minha dindinha, quem me deu – é lógico que foi eu quem pediu e ela me ensinou a tragar – eu pensava que tragar era engolir a fumaça e soltar pelo nariz. Alguns anos depois com Heloisa, é que fui entender que estava altamente equivocada. Não sei como a nossa farra do ônibus foi descoberta e acabou por acabar. A moça deve ter sido despedida e eu fiquei sem o meu aniversário de 8 anos. Mas graças a uma vizinha, Gracinha, loura linda e bailarina, que também me mimava bastante e gostava de fazer bolos, não passou em branco e, não passou mesmo. Ainda hoje me lembro desse bolo com cara de Mickey Mouse, as orelhas e cabelos de ameixa e os dentes de chiclete branco e aí, tchan, tchan, tchan, tchan !!!!! Na hora dos parabéns, tiraram a vela e colocaram um cigarro na boca do Mickey – deve ter sido Rosa ou Silvina – mais provável. Mas o que importa é que tive bolo, não importa se a vela foi um cigarro. E assim eu continuei à aprontar muitas e muitas outras, não existia limites para mim, só a vida iria me ensinar, ou não, quem sabe ?

parte 6 prelúdio ou interlúdio primeiro...(como quiserem ou...)...dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

E o meu filme continua fervilhando e rodando na minha tela interior, desfilando imagens de pessoas, de lugares, querendo retomar formas esquecidas, que já não são mais. Mas que podem certamente emergir de algum lugar das profundezas das minhas lembranças longínquas: Porém agora somente adormecidas e não mortas. Pois a morte, nada mais é que transmutação, transformação de energia, de emoção, de sentimento, de plano espiritual e, assim por diante. O que seria do amanhã se não fosse o hoje e o do hoje sem o ontem; Nada de nada, não devemos fugir do passado, nem do que foi bom e, muito menos do que foi ruim, temos de mergulhar no seio das nossas vivências, como uma volta ao útero e, tentar quem sabe nos procurando, lá naqueles momentos que passaram; Algumas vezes resolvidos, outros não, o que somos hoje; no que nos transformamos e o que ainda temos de buscar, para talvez nos resolvermos afinal; Somente assim, encarando o que fomos, talvez tenhamos alguma resposta para o que somos hoje e, talvez recuperando o que falhou ou o que não foi, resolveremos melhor o amanhã e assim sendo, quem sabe não seremos, o que queremos realmente ser, no futuro: Que nada mais é que o resultado das nossa atitudes, das nossa escolhas. E por isso é, que procuro insistentemente , garota sapeca, precoce, alegre e metida, que fui, para tentar entender essa mulher em quem me transformei.

sábado, 17 de outubro de 2009

parte 5...Preâmbulo primeiro....dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

Eu já até queria chegar ao Rio de Janeiro, mas acho que vou ainda fazer uns retrocessos e, tentar lembrar de alguns “causos” da minha bela infância e adolescência, por pedidos. E essa parte vai ser chamada de preâmbulos... antes dos embalos... Por causa da bendita TPM, que me deixa absolutamente irritável e insuportável, e o pior é que só piora, com o tempo, deve ser a temida e irremediável menor pausa, que não deve tardar a chegar, pois afinal de contas o tempo passa - minha filha - e não é só para mim, não! hahahahahah!!!!!! , acabei tendo de dar um tempo nas minhas reminiscências e de ter de escrever sobre isso ou aquilo ou aquilo outro. Mas agora vamos dar um rolé no passado e, saborear dos velhos tempos idos, aqueles que foram, mas que fizeram data, nas nossas lembranças e que ninguém, nem nenhum infortúnio, é capaz de apagar. Meus tempos de infância, nessa cidade pacata e tranqüila, onde ainda se podia brincar na rua, até altas horas. Brincávamos de queimado, de pegador, de basquete, dávamos voltas e mais voltas de bicicleta, no quarteirão e, descíamos ladeira abaixo, de mãos soltas e olhos fechados, sem responsabilidades, sem travas, sem amarras, com o único intuito de sermos felizes. Tudo era alegria, risos e gargalhadas gostosas, que ecoavam nas ruas silenciosas de outrora. Eu e minhas eternas amizades, como: Florise, Carla, Mariquinha, Ana Claúdia, Zé Matias, Serjola, Yolanda e tantos outros... Divertíamos-nos, cantando e dançando na chuva, que descia como um torrente de cachoeira, das velhas calhas dos sobrados coloniais e tinha também os banhos no tanque com Fulô, pois piscina, só no Casino Maranhense, quase todos os domingos depois da missa, que graças à Deus, eu não ia nunca - ficava na pracinha Benedito Leite, ou ia no Roxy (antigo cinema da cidade, hoje sobreviveu, mas só passa filme pornô e tem sempre uns tarados que frequentam), assistir as matinés - onde vi meu primeiro clássico 'Mary Poppins"; Catávamos carangueijinhos nos mangues, onde hoje se encontra o Anel Viário, estrada que recuou o mar, nos deixando mais longe dos barcos de velas, que ainda colorem o horizonte rosa púrpura, das tardes ensolaradas e bronzeadas, coroadas de pores do sol, sublimes, que só nessa ilha maravilhosa, porém abandonada, podemos contemplar. Nas rodas de ciranda, cirandávamos, a volta e meia, atirávamos o pau no gato e ele não morria nunca, íamos todos os dias na Espanha com a samba lêlé, comprar um chapéu de três pontas azul e branco e, ladrilhávamos as ruas de pedrinhas de brilhante, Usávamos vestidinhos curto e mostrávamos as perninhas grossas- quando se tinha é claro - Mas papai não gostava e daí? Éramos inocentes e ingênuos, como a gota d’água que cresceu e se desfez... Pulávamos elástico e can can e subíamos ao topo do céu, nos nossos delírios eufóricos e infantis. Corávamos de vergonha, no jogo da salada mixta, onde tínhamos de beijar ou ser abraçados, por um coleguinha querido, esboçando assim, as primeiras paixões, que chegavam junto com a puberdade e as descobertas do sexo oposto, que ainda não prevaleciam nas nossas emoções. Boca de forno, que nos mandavam fazer o que não queríamos, mas já sonhávamos. As brincadeiras de médico, de esconde-esconde e de pimentinha pimentão, malagueta, algodão ou avião, as bóias de câmera de pneu de caminhão, que levávamos para a praia, nas excursões de papai, na combe azul e branca, dirigida por Expedito, grandes expedicões no Araçagi, com direito à mergulhos no rio que passava por lá, no bar Peixoto. e depois já cansados de tanto mar e sol, deitavámos , nas bóias de câmera de ar e, nos endormíamos como num sofá, na frente da televisão, assistindo certamente Chacrinha, pois ainda não tinha o chato do Faustão, ou a podridão do è fantastico, um homem de elástico..." Éramos felizes e nem sabíamos o que era felicidade; Pois a felicidade é esse total espírito de leveza e bem estar, onde boiamos em águas plácidas, vivenciando momentos, que não procuramos, mas que vivemos simplesmente e onde não há, nenhuma explicação. Um pé de moleque (arroz amassado, pela mão de Firmina), um sorvete de chocolate – feito com Jeneve, bolacha Maria ou água e sal com goiabada. Um sorvete de ameixa do Hotel Central ou um daqueles de coco da rua mesmo, um cachorro quente com pepino, cebola e tomate, no mercado, ou simplesmente uma salsicha no pão, na Mouraria ou no quiosque do parque Bom Menino... Uma revistinha do tio Patinhas ou do cebolinha na mão, a lua lá em cima, saindo por detrás de um balão, na época de São João, que não era lua e nem nada, era somente, meu pai Nerval, fazendo uma canção, em plena escuridão estrelada, numa noite de apagão e, aí bate, mé irmão, uma saudade imensa lá no fundo do coração.

domingo, 4 de outubro de 2009

parte 4... dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

Agora sim, estava na flor da idade, o mundo era meu!!! - não sabia o que me esperava pela frente hahahahaha!!! Fora os conflitos com os pais, preocupação com que roupa ia para a boate, de quanto é que ia ser a facada, que ia dar no pai pra comprar roupa nova - porque não repetia, nunca, nem pensar numa coisa dessas; se ia ter sol para ir se queimar na praia, de biquíni de chita de florzinha - que a empregada da casa de Heloisa, a minha melhor amiga, fazia um monte pra agente e, ficávamos trocando - assim não se repetia e, as pessoas achavam que agente tinha vários; ía sempre nas férias à praia com Heloisa e Kátia, - dessa aí morria de ciúmes, Helô conheceu essa colega nova numa viagem que fez para o Rio – quanto à mim, eu nunca viajava, só ficava olhando os meus amigos e, a minha irmã mais velha, "a minha dindinha", Doutora Rosário, que já era médica de pele - já curou até um homem que já tinha perdido a orelha, ele tinha lepra e não sabia, foi ela quem descobriu - dizia com orgulho, o meu pai e, repetia sempre – todo mundo aqui ia estudar ou passear no Rio e, papai não deixava eu viajar, morria de vontade de ir para o Rio de Janeiro eu também, passar as férias e, o maximo que conseguia do meu pai, era ir ver os aviões no aeroporto, ou seja ficava à ver aviões; mas meu dia vai chegar, um dia eu vou! papai querendo ou não querendo , ah! se vou ... - vivia jurando e dizendo à mim mesmo. Heloisa "Rainha de gafieira " e eu "Rainha de discoteca", brincávamos entre nós; até então ela só tinha eu de melhor amiga, antes da tal viagem pro Rio. Ela tinha um namorado - dele, eu gostava e não tinha ciúmes era tipo como se ele fosse meu também, dá pra sacar? Ele morava no Caiçara - único prédio, que tinha aqui na ilha, pois São Luis, pra quem não sabe é uma das três capitais ilhas, pelo menos era assim, na minha época; Desde pequena, antes de conhecer o namorado da minha amiga, já achava ele, lindo, um verdadeiro pão!!! moreno dos olhos azuis, ele era encantador, um gato! via sempre ele, quando meu pai me levava pra trocar figurinha repetida, daqueles famosos álbuns que agente colecionava na época - que diga-se de passagem, uma vez que se completava, quando, se completava, não servia para nada; lá no prédio que ele morava, onde tinha uma banca de revistas; ele nunca me enxergou, só fomos nos conhecer mesmo, quando ele foi estudar, lá no "meu" colégio Batista, parece, que ele tinha sido comprado, para jogar basquete ; pois os colégios compravam, os atletas promissores e os que se sobressaíam, nos JEMS ( Jogos Estudantis Maranhense ) – Oh época boa! Eles me chamavam de filha e eu vivia segurando vela para os dois pombinhos apaixonados - lembro principalmente da mureta do John Kennedy Center, onde estudavámos Inglês e ficavámos namorando, ou melhor, eles namoravam e eu olhava- ficava feiz de verdade de poder assistir de tão perto o meu romance preferido, era como um filme, onde eu era a única espectadora, hahaha! Eu adorava esses dois, eles tinham uns três anos mais do que eu e, fiquei muito triste, quando esse romance acabou; ele numa das férias que ela tinha viajado, ficou com uma menina que acabou engravidando e, mesmo apaixonado pela minha amiga, acabou ficando com a outra e casando, bem novinho, que pena! Nunca esqueci uma coisa, que ele me disse na época - a carne é fraca! não entendi bulhufas, só sei que acabou o que era doce, e tudo por causa dessa tal carne, e ele perdeu o grande amor da vida dele. Acho que essa foi a minha primeira e grande decepção de amor, que vivi por tabela. Eu sempre fui muito platônica e preferia viver minhas histórias de amor na minha cabeça. Ficava ali sonhando acordada, idealizando como eles agiriam, o que diriam, como me beijariam? Sempre tinha um paquera para protagonizar o "meu filme", interpretando o papel de príncipe encantado. Não gostava muito de namorar, preferia como disse paquerar e sonhar...Mas de vez enquanto rolava alguma coisa, tipo um beijinho, mas era raro e sempre dava um jeito de fugir, preferindo ficar com os amores que não se concretizavam. Eu e minhas amigas, tínhamos códigos, para falar dos paqueras, para que ninguém descobrisse e no meu caso , para que eles mesmos, não soubessem do meu interesse por eles, e o quão eram importantes na minha história. E assim fui continuando à platonizar as minhas paixões encubadas. Porque era assim comigo, eu não sabia, só sabia que me achava diferente e esquisita das minhas amigas que já namoravam firme e eu, ficava ali à ver navio e avião, quase sempre de vela na mão. Mas continuava positivamente à pensar, um dia eu também......

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

parte 3...dos embalos de sábado à noite à pulp fiction...

Depois daquele memorável e inesquecível concurso de dança do Casino Maranhense, que graças à Deus, felizmente não aconteceu. Eu comecei a tomar gosto pele dança de discoteca e fui me tornando uma expert, uma espécie de rainha, desse tipo de dança , que diga-se "en passant" que foi, o único tipo de dança que aprendi e me sobressai; e, até hoje 30 anos depois as pessoas ainda lembram das minhas diversas atuações, com os diversos parceiros, que tive na época; meu querido amigo do cabelo amarelo, foi só o primeiro. Depois, fui ficando famosa e todo mundo, queria dançar comigo, até Alexandre Black e Zé Maria, os grandes favoritos daquela noite. Depois veio Ernesto França e junto com ele, literalmente, chegamos ao topo, que culminou com o meu aniversário de 15 anos, na extinta e saudosa Zig - Zag, onde fomos consagrados os melhores dançarinos do gênero na época; embalados pela voz da grande diva Donna summer cantando, “Last danse”, deslizávamos na pista de dança valsando a valsa mais diferente de todas as valsas, vista até então: era a valsa dos meus 15 anos, a minha cara! - papai não gostou muito, mas teve de acabar engolindo, como muitas das minhas invenções fora dos padrões normais, das outras pessoas; sempre fui autêntica, especial e diferente, do que era tido como "certo", sempre fui “absoluta” - como minha mãe Yara dizia, como Stéfany cantou, como a Preta Gil disse, como o Tom Zé falou, como o Caetano proseou, como o Rimbaud poetizou, como o Buñuel filmou, como o Michael Jackson dançou, como o Al Pacino arrasou, como o Godard acossou, como o James Jean ousou, como o Garrincha driblou, como o Zidane goleou, como o Tarantino estrapolou, como a Marilyn ficou, como o Truffault criticou, como o Zeca Baleiro encantou, como Marcel Proust escreveu, como o Moises Chaves interpretou, como o Santa Cruz rimou, como o João compoz, como a Lúcia Santos cortou e, assim por diante... a lista é grande das pessoas que como eu, foram, são e, sempre serão, absolutamente, "absolutas"- e, foi assim nesse estado de total irreverência que eu e França, meu par, acontecemos, naquela pista de dança da Zig - Zag e, os amigos e familiares próximos, boquiabertos aplaudiram. Eu estava vestida com uma malha branca e uma saia preta de bolinhas brancas, totalmente inconforme comparando com as chamadas debutantes, que se vestiam com aqueles vestidos ridículos, cheios de rendas e babados nos seus bailes de 15 anos - roupas e festas cafonas, que só o circo do casamento na igreja de véu e grinalda, ganha. Acho que até o último momento da festa, meu pai ainda esperava, que eu dançasse a tradicional valsa - que ninguém nunca dança em outras circunstâncias, mas que é a norma nesse tipo de aniversário de 15 anos, que botaram nas cabeças e foi passando de geração em geração, que tem de ser assim, senão é assim não é; mas é claro que é, e realmente foi, "totalmente demais". Aquele momento foi único e inimitável, inigualável e indelével, não só para mim, mas para todos, que ali estavam presentes.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Parte 2...dos embalos de sábado à noite à pulp fiction....

Espirro, mas parecia com o E.T, do filme de Spilberg e naquele quarto preto até assustava. Mas logo sorriu nos deixando à vontade e do alto dos seus quase dois metros, - era jogador de basquete - pelo menos era a impressão que me dava, disse: Vamos começar ! me pegou de um jeito leve e foi me conduzindo naquelas danças conjugais de um lado para o outro e pega daqui e vira de lá e vira de novo; fui me deixando levar e a gostar e, de repente parou e disse : até amanhã depois da aula. Já devia ser mais de meia noite, quando fomos finalmente dormir. Do dia seguinte em diante fomos começando a ensaiar e a decorar, a tal da coreografia do concurso. António José dançava muito engraçado, parecia um cavalo doido trotando e dando coices, mas era divertido e fomos nos entendendo e nos afinando. Chegou o grande dia! A expectativa era grande, estávamos ansiosos e nos achando o maxímo. Nas nossas cabeças o paréo estava praticamente ganho, só faltava a coroação final - o prêmio, que nem sabíamos qual era e, nem importava; na verdade, o que queríamos mesmo era nos mostrar, era aparecer para sermos os melhores. Quando chegamos, demos uma olhada geral e aos poucos os nossos rivais começaram a se mostrar, os pares já famosos como : Alexandre Black e Norma; Zé maria e Benedita e só, acho que eram só esses, os nossos concorrentes de fato, deviam ter outros mas eu nunca saberia quem eram e sabem o porque? Pois lhes direi meus caros amigos, já, já. O salão tava iluminado e começavámos nervosos à nos preparar para entrar em cena, quando alguém, não sei bem quem, nos disse: Acabou! não vai ter mais concurso nenhum, acabou a festa. Até hoje não entendi o que verdadeiramente aconteceu, só sei que nos olhamos frustrados e tristes de não poder mostrar a nossa bela performance e de sermos finalmente ovacionados e louvados, como os grandes vencedores da competição! Hoje pensando melhor e com distanciamento, devido aos anos que se passaram e ao recuo, que só o tempo dá, acho que foi melhor assim, já pensou se por um acaso qualquer, não ganhassémos? E assim ficou suspensa no ar e no tempo que passou, aquela eterna duvida, será que agente ia ganhar? mas claro que sim - era a nossa resposta toda vez que nos referíamos à esse concurso, ou quando alguém perguntava, alguma coisa sobre... Se tivesse realmente acontecido, é claro...